Amigos,
Nos tempos de crise em que vivemos é da maior importância que saibamos como e onde cortar na despesa mensal de modo a conservarmos uma certa saúde financeira enquanto o próximo ordenado não cai na conta. Bem ciente das dificuldades que se vivem nestes dias de provação e de privação, estou aqui hoje para vos dar alguns conselhos simples que se aplicados com diligência assegurarão garantidamente a poupança de alguns trocos que parecendo que não podem fazer uma grande diferença naqueles momentos em que o fim do mês tremeluz indistintamente no horizonte como uma miragem no deserto.
Felizmente, a minha tarefa encontra-se facilitada pelo facto da totalidade das preocupações financeiras do homem moderno de classe média poder ser resumida numa única questão: “como poderei garantir foda frequente ao longo do mês sem ir à falência antes do dia quinze?” Este é um dilema tão complexo quanto antigo. Todos sabemos bem demais que gaja nenhuma diz que não a um jantar à borla. Isto torna-se um problema porque todas elas sabem que homem nenhum digno desse nome diz que não a cona aberta e, logo, não têm pudor algum em abaná-la como um isco no anzol, de tal modo que o homem, seguindo cegamente o doce aroma do apetitoso engodo, quase flutuando atrás dele como nos desenhos animados, quando acorda dá por si já sentado à mesa num restaurante de nome impronunciável cujo único prato abaixo dos vinte euros é o da gorjeta. Não importa que nem se lembre de como lá foi parar, a partir deste momento já nada há a fazer.
Ao homem que se vê preso nesta situação, os únicos consolos que restam são o cartão Visa e o deprimente átomo de esperança de que no final da noite a gaja se deixe de jogos psicológicos e cumpra o que andou a prometer desde as entradas que enfardou sem vergonha até à sobremesa que não se percebia bem o que era mas que a julgar pelo preço devia ser mousse de dinheiro. Agarrado a esta ténue luz ao fundo da cona, que atitude pode ter o homem no final do jantar? Olhar para a conta, pousar o papelinho sem interromper a conversa, de semblante sempre jovial e bem-disposto, como se nada fosse, e tirar a carteira do bolso do casaco para pagar. Tudo isto enquanto se prepara psicologicamente para passar o mês seguinte sem luz e sem gás. Na tentativa de não denunciar o absoluto terror financeiro que lhe vai na alma, conta uma piada seca. A puta à sua frente, bêbeda que nem um cacho das garrafas de vinho de reserva que mamou, parte-se a rir. ‘És impagável’, diz ela, fungando. Mas ele já não a ouve... Está absorto a pensar exactamente o mesmo a respeito da conta.
E apesar deste autêntico martírio, quantas e quantas vezes depois do rombo na conta bancária a noite não acaba com a puta de bandulho cheio a arrotar de satisfação sozinha no conforto da sua cama porque só depois de estar já à porta de casa é que se lembrou de dizer que afinal não podia foder porque estava com o Chico, enquanto nós, numa outra cama bem distante, tristes e falidos, nos vingamos na punheta? Pois bem, meus caros, limpem essas lágrimas doridas pois estou aqui com a solução para o problema. Trata-se de nada menos do que um método infalível e económico para descobrir se a gaja está ou não com o período antes de lhe dar sequer oportunidade de começar a girar o dedinho indeciso diante do menu. Eis o que fazer.
Imaginemos que o leitor tem um encontro marcado com uma daquelas gajas que estão sempre a dar a entender que querem ser comidas mas que só revelam se estão a brincar ou não se primeiro lhes derem comida. O encontro está marcado para um restaurante a que ela sempre quis ir porque ouviu dizer que servem um fondue de carne divinal, aproximadamente pelo preço de um submarino nuclear. Nestes casos, exige-se alguma preparação prévia.
Primeiro, é necessário comprar um ovo Kinder. Coma o chocolate. No final, abra o ovinho interior de plástico, retire o boneco e, se for dos de montar, monte. Depois, bata uma boa punheta e venha-se para dentro do ovinho de plástico. Logo aqui já está a poupar em guardanapos. Feche o ovinho e reserve. Após ter acabado de pentear o cabelinho à paneleiro e posto o cheirinho a puta no sovaco, guarde o invólucro com a esporra no bolso e saia para a rua de queixo erguido e passo confiante. Ao encontrar-se com a gaja no restaurante, finja-se interessado no tecido que lhe cobre o corpo, aproveitando para lhe galar o tetalhal. E agora, atenção, eis o truque: quando se sentarem à mesa, mostre-se esbanjador e ofereça-se para pagar umas bebidas iniciais. Naturalmente, isto causará muito boa impressão. Então, quando as bebidas chegarem, aproveite para lhe elogiar os sapatos. Assim que ela começar a enrolar o cabelo com os dedos toda contente por alguém ter notado os lindos brilhantinhos nos seus sapatinhos, pergunte-lhe se a unha retorcida aparentemente encravada no seu dedo grande do pé tem cura. No momento em que ela olhar para baixo horrorizada, retire o ovinho de plástico do bolso e deite a esporra toda na bebida dela, usando a colher de sobremesa (dela, foda-se) para ajudar a raspar o fundo se necessário. A partir daí é simples. Sendo bem sabido que o leite ao pé das gajas menstruadas azeda, é só ficar atento a ver se ela faz caretas a beber aquilo. Se não fizer, o caminho está livre, não há risco da senaita vir a revelar-se tamponada. Agora se fizer, já se sabe que não vale a pena gastar dinheiro nem paciência a ouvir a conversa de merda dela porque é garantido que não vai haver foda para ninguém. Neste caso, o plano de acção é simples: levante-se, retire do bolso o boneco que lhe saiu no ovinho Kinder, pouse-o na mesa, vá-se embora e deixe a gaja a falar para ele.
Claro que há sempre a hipótese de se obter a confirmação de que o pito não está em sangue e pagar-se ali do belo pelo jantar apenas para que no fim da noite ela se arme em esquisita e nos deixe o caralho à míngua sem justa causa. É sempre fodido quando acontece, é verdade, mas calma que mesmo assim nem tudo fica perdido. Se acontecer, graças ao método que aqui propus poderão usufruir de um prémio de consolação tão bom que quase compensa o carcanhol gasto e a ausência de foda. Refiro-me, naturalmente, ao gozo de se poder dizer à puta que o Baileys que ela bebeu no início da noite era gin tónico quando chegou à mesa. Ah, os pequenos prazeres…