terça-feira, 20 de julho de 2010

Pelos olhos de uma gaja burra

Uma coisa que sempre me encheu de curiosidade é como será o mundo visto pelos olhos de uma gaja burra, dessas que quando calha apanharem um filme pornográfico a dar na televisão ficam a vê-lo à espera que o entregador de pizzas e a matrona viúva que se esqueceu de ir ao Multibanco se casem no final.

Ontem, o destino deu-me oportunidade de descobrir. Às custas de algumas mentiras desavergonhadas consegui trazer para casa uma moça cheia de sonhos que diz que nasceu para amar mas que na verdade nasceu foi para foder. A sua psicose tem duas facetas, como é comum nestas gajas que concluíram a menoridade antes do nono ano. Em primeiro lugar, está convencida de que se acreditarmos muito em nós próprios não há nada que não sejamos capazes de fazer, e em segundo, acha que tem futuro como actriz. Fiando-se neste duplo delírio começou por candidatar-se a papéis menores de longas-metragens, depois seguiu para peças de grupos de teatro amador, depois para vozes de desenhos animados, daí tentou ser menina sorridente de programa da manhã, a seguir fez uma audição para um anúncio de um creme qualquer para pôr na pachacha e está actualmente nos castings para uma nova novela da TVI. Falhou em todos os casos anteriores mas como acredita muito em si própria acha que desta vez é que vai ser. É nestas alturas que lhe ligo porque já sei que a euforia lhe dá para amar. Eu chamo-lhe foder mas ela diz que é amar.

Como sempre faço com gajas apaixonadas pela vida em geral comecei pelo minete, para consolidar a ilusão. O empresário sagaz sabe investir e aguardar com paciência pelos dividendos. Às tantas, volvidos escassos minutos de língua-na-crica, eis que entre gemidos a oiço dizer: ‘vai fofo, lembe, lembe… vai, não pares de lember’. Confesso que com aquela a puta apanhou-me de surpresa. Já fiz praticamente tudo o que pode ser feito com uma gaja nesta vida mas lember é coisa que para mim era novidade. Até ali só tinha lambido e nunca ninguém se tinha queixado. Foi então que o pensamento surgiu: “Por que não aproveitar esta oportunidade para ver o mundo pelos olhos de uma gaja burra, como sempre quis?” Decidido a fazê-lo, parei de lamber, respirei profundamente, voltei à carga e, um pouco nervoso por ser a primeira vez, comecei a lember.

Hoje, enquanto homem que já lembeu, posso finalmente afirmar sem mentir que experimentei a vida tal como é vivida pelas gajas burras, ainda que por breves instantes. Mas olhem que não é nada de especial… Mesmo o minete foi praticamente igual aos outros. Teve um coche mais de precariedade, só. Fora isso…

13 comentários:

  1. "lember" deve ter sido fantástico, não mais do que ver o mundo por os olhos de uma pessoa (sim, pessoa, podes não acreditar, mas também acontece com os homens) burra.

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  2. Pode ser apenas disléxica e olha que o Einstein era disléxico!

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  3. Ah....
    Pois. Derivado à mosca da fruta que ataca severamente os ocalipais, vou-me abster de tecer comentários adecionais. Até proque tenho de redigir uma acta da Assembleia de condónimos do dia quatorze.

    Boa posta, cona.

    Olha, a Vera.
    Tás boa, pá?

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  4. Bock, pá! queres abardinar este "cantinho" tão bonito e sério?

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  5. Ui,ui! Caro Príapo, agora fizeste-me lembrar um pequeno episódio que abusando da tua hospitalidade aqui conto muito sucintamente.
    No decurso de um broche atabalhoado, pedi uma cuspidela (piedosa) de forma a humedecer o nabo e aligeirar aquele pesadelo. O que ganhei com a coisa, foi uma mancha no soalho e o rótulo de um gajo com fetiches estranhos como o caralho!

    Holmes

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  6. Bock,
    Vai lá ver o que te respondi no post com ou sem pêlo, vai lá apanhar morangos.

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  7. Vera, loira, podia sugerir-te que trouxesses os morangos, e eu oferecia as natas, mas não entremos por aí, pelo menos não aqui.
    A cena é que eu não tenho o dom da ubiquidade.
    Custa-me andar a cirandar pela blogosfera e ainda ter de trabalhar.
    Tem lá paciência comigo, moça, não sejas bera.

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  8. Ouvir "lembe", ou qualquer outra perversão fonética (não-dialectal), é anticlímax. O caro Príapo só pode ser agraciado com dons divinos para poder ter continuado... ;)

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  9. Brandie: Disléxico ou não, duvido que o Einstein alguma vez tenha lembido. Quanto mais não seja porque o bigode o impossibilitaria.

    Holmes: Podes abusar da hospitalidade à vontade desde que não tentes ir-me ao cu. E essas manchas no soalho são outras tantas recordações de tempos bem passados. Hoje em dia sou frequentemente elogiado quando tenho visitas em casa pelo maravilhoso chão com padrão de pele de leopardo que tenho pela casa toda.

    Fraulein Else: Se do que leste deduzes que tenho dons divinos havias de me ver de cuecas. E anticlimax é palavra que não entra no vocabulário priapístico.

    Aos outros todos que cá venham: Vamos sair daqui que a Vera e o Bock estão a falar e parece mal ficar a ouvir a conversa.

    PS: Mais de 100 visitas hoje... Foda-se, há mesmo muita malta ordinária por aí.

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  10. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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  11. Vejam o meu caso: O meu rosto ficou ligeiramente deformado (não consigo tirar este sorriso idiota) depois de ter sido sujeito às LEMBIDELAS copiosas do meu rafeiro de estimação. :)

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  12. lembida foi a primavera, "...ver o mundo por os olhos de...". não escrevo eu assim e sou cigane.

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  13. Caro Príapo, agradeço a hospitalidade e quanto à tua premissa fica absolutamente descansado.
    É bem certo que o "seguro morreu de velho..." mas ainda assim que raio de receio o teu, foda-se! É que nem em sentido figurado...
    Holmes

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