terça-feira, 13 de julho de 2010

Por que temos um caralho?

Às vezes dou por mim a pensar que as gajas não percebem mesmo o que é que uma piça significa para o seu dono. A compreensão que a mulher comum tem do barrote é um bocado como a que tem de informática: tudo o que transcender a óptica do utilizador é um mistério insondável. É bom para chupar e levar com ele, o resto que se foda. Ora, eu até estaria disposto a arquivar este fulgurante exemplo de estupidez feminina ao lado de outros clássicos como a incapacidade de memorizar para que lado os parafusos apertam ou as unhas de gel, não fosse o caso dessa ignorância acarretar consequências nefastas para nós que temos um piço e que temos de aturar as vossas merdas. Não pretendo perder tempo a tentar explicar-vos o que é ter um caralho ou a relação que cada homem mantém com o seu. Seria esforço não menos vão que tentar explicar-vos a importância de sermos nós a ter o comando da televisão na mão. Não, o que vou fazer é contar-vos uma história como se faz às criancinhas. Com alguma sorte pode ser que consigam vislumbrar o que quero dizer.

Esta é a história de Cristino, o homem mais indeciso do mundo.

A terrível indecisão de Cristino manifestou-se pela primeira vez no dia em que nasceu. Enquanto a sua mãe mugia que nem uma vaca na sala de parto, o seu pai patinhava de lá para cá na sala dos cornos à espera que a puta parisse. Nisto, surge o obstetra:

- ‘Desculpe, o senhor é o marido da senhora Enfímia?’, perguntou.

- ‘Não, ele não pôde vir’, respondeu o homem, visivelmente preocupado. ‘Sou Armando, o pai da criança’.

- ‘Muito bem’, continuou o médico. 'Vim aqui ter consigo para lhe fazer uma pergunta. É muito importante por isso peço-lhe que responda honestamente. Diga-me… Quando concebeu o menino Cristino, enrab… fez sexo anal com a sua mulher?’

- ‘Sim, claro”, retrucou Armando, espantado por ter sido preciso perguntar. ‘Porquê?’

- 'Bom… passa-se o seguinte. O seu filho sofre de uma patologia conhecida como “morte iminente”, causada por uma outra designada de “confusão mesentérica extrauterina”, também conhecida entre nós, obstetras, por “Andreia Margarete”’.

- 'Não percebi...'

- 'Deixe-me tentar explicar em termos mais simples. Acontece que em raras ocasiões, quando o acto sexual que leva à concepção da criança envolve enrab… sexo anal, a esporr… o espermatozóide não sabe bem para onde ir e aloja-se entre os intestinos e o útero. Isto origina durante a fase de gestação uma crise existencial pré-natal que faz com que o feto fique sem saber muito bem qual o seu lugar no mundo.’

- 'Como assim?', indagou Armando, confuso. 'Está a dizer-me que o meu filho vai ser metade homem metade cagalhão?'

- 'Não, não, percebeu mal. O Cristino crescerá como uma criança normal. Será apenas um pouco cara-de-cu mas meramente por motivos genéticos. O problema é com a sua esposa.'

- ‘O quê?! Não me diga que ela veio cá ter!’

- ‘Desculpe, referia-me à senhora Enfímia. É que dada esta confusão, a criança não poderá nascer de parto normal nem de cesariana.’

- ‘Quer dizer que… terá que nascer pelo cu?’

- ‘Também não. O cu da senhora Enfímia ainda não recuperou totalmente da concepção, seria demasiado arriscado…’ E pousando uma mão consoladora no ombro de Armando, procurando a custo conter o riso, concluiu, ‘Lamento, mas o seu filho terá que nascer pelo períneo.’

Obtido o consentimento formal de Armando, entraram ambos na sala de parto para dar início à perigosa intervenção cirúrgica. Depois de aberto um buraco no períneo de Enfímia, o obstetra enfiou uma mão lá dentro e começou a escarafunchar. Passados alguns minutos de esforço, uma enfermeira anunciou de repente: 'Já se vê a cabeça!' Armando chorava e ria de felicidade. 'E agora já se vêem os colhõezinhos!', disse a mesma enfermeira alguns segundos mais tarde. Ao ouvir isto, Armando saltou do lugar e foi ter com obstetra. 'Desculpe, você não me disse que o meu filho ia ter colhões na cabeça', sussurrou, preocupado. O obstetra deu uma chapada na sua própria testa e depois outra na de Armando. 'Valha-me Deus, homem', disse ele. 'Pare lá de ser estúpido. Colhões na cabeça… olhe que você… Para já a cefalocolhoíte é uma condição raríssima transmitida só de tios para primos, e depois você não tem antecedentes na família. Não, a enfermeira referia-se à cabeça da gaita do seu filho. É bastante comum nos partos via períneo que o pénis saia primeiro. Anime-se, o facto da coisa seguinte a sair terem sido colhões é um excelente sinal. Olhe que nem sempre é assim… Uma vez num caso semelhante sabe o que é que saiu a seguir ao caralho?...’. ‘O quê’, perguntou Armando, intrigado. ‘Outro caralho’, respondeu o obstetra. E ficaram bons amigos.

De maneira que foi assim que se passou o episódio do nascimento de Cristino. Porém, a confusão com que o rapazola viera ao mundo agravar-se-ia nos anos seguintes. Por mais que os pais insistissem, Cristino não era capaz de decidir fosse o que fosse. Mijava sentado ou de pé? E cagar, como é que era? Mamava nas tetas da mamã ou na piça do papá? E depois, engolia ou não? As indecisões multiplicavam-se dia após dia, e o rapaz só não ficava completamente imobilizado pelas suas dúvidas porque não se conseguia decidir a fazê-lo.

Quando entrou para a escola a coisa piorou devido à crueldade dos seus colegas. O que mais lhe custava era a constante gozação com a óbvia ambiguidade sexual do nome “Cristino”. No recreio, era sempre a mesma coisa. Primeiro, chamavam-no: “Cristino! Ó Cristino!”. E depois, quando ele olhava, gritavam todos em coro: “Vai pó caralho!”. E o jovem começou a ter medo de dizer às pessoas como se chamava.

Anos mais tarde, começou a namorar com uma gorda horrorosa conhecida na escola por Bidon que se apaixonou por ele quando lhe perguntou se a achava feia e ele respondeu que não sabia. Bidon foi, aparte dos seus pais, a única pessoa a importar-se com Cristino e nunca desistiu de tentar curá-lo da sua indecisão paralisante. Especialmente porque tinha o adiposo pito aos saltos e Cristino não se decidia a fodê-la por mais que ela tentasse excitá-lo, por exemplo, apagando a luz ou vestindo uma gabardine mais ousada. Um dia, enquanto Cristino dormia, Bidon decidiu fazer-lhe um broche de encorajamento. Foi nesse momento que se fez uma importante descoberta: Cristino não conseguia ter tesão. A badocha bem mamou até começar a entrar pó pelo cu de Cristino mas era o mesmo que chuchar numa meia rota. Depois disto foram a todos os tipos de médico mas nenhum conseguiu descobrir porque é que Cristino não conseguia ficar de pau feito. Era inexplicável, não havia problema hidráulico algum. Os psicólogos também não deram em nada embora se tenham mostrado mais compreensivos, visto que a maioria sofria do mesmo problema. Então, Bidon teve uma ideia: levar Cristino ao obstetra que lhe havia feito o parto.

Decorridos meses de buscas, finalmente encontraram-no. Estava em Coimbra numa convenção de sem-abrigos à qual fora dar uma palestra sobre o dilema ético de limpar o cu às revistas Cais que ficaram por vender ou não, de modo a evitar ficar com assadura na bilha depois de um copioso repasto de Whiskas, receita de salmão e cenouras, que sabe bem mas faz cagar macio. Ao ouvir Bidon a relatar o caso, o obstetra mostrou-se preocupado e compreensivo, pelo que imediatamente a seguir a assaltá-los procedeu a examinar o piço de Cristino. Não tardou a chegar a uma conclusão. Segundo explicou, em cada 1000 casos de parto pelo períneo havia um em que o nervo que faz a ligação entre o caralho e o cérebro era cortado, e sem esse nervo activo não há cá tesão para ninguém. Era preciso restabelecer essa ligação. O próprio obstetra ofereceu-se para fazer a cirurgia necessária. Levou Cristino para o seu bloco operatório na casa-de-banho de um restaurante chinês e usando apenas um crepe e uma colher de gelado Epá remendou o defeito de nascença. E ficaram bons amigos.

Eis-nos agora chegados ao ponto que interessa. Após a cirurgia, não só Cristino passou a ostentar um dos mais rijos sarrafos que este nosso Portugal já viu como se tornou extremamente assertivo nas suas decisões. A primeira que tomou foi a de despachar a Bidon. Não ficaram bons amigos. A partir daí, aproveitando o embalo, decidiu tornar-se empresário e criou uma cadeia de restaurantes. Infelizmente, as pessoas não se sentiam à vontade a comer ao lado de prisioneiros e o negócio faliu em menos de um mês. Em todo o caso, viveu feliz até ao fim dos seus dias trabalhando como profissional de pornografia hardcore, tendo morrido honrosamente nas filmagens da sua última longa-metragem por se ter mostrado inamovível na decisão de tecer uma violenta crítica cinematográfica à barbárie da tauromaquia vestindo-se de matador e enrabando um touro furioso de meia tonelada no meio da arena.

Aqui termina a nota biográfica do meu avô Cristino, que espero ter sido elucidativa. A lição a retirar é a de que o caralho do homem é mais do que uma ferramenta útil para dar traulitada na pachacha. É o centro de tomada de decisões sem o qual o cérebro masculino nada consegue fazer. Claro, as mulheres conseguiram compensar a falta de piça ao longo do seu percurso evolutivo de outra forma: eliminando a necessidade de optar. Por exemplo, ao passo que um homem consegue decidir num instante que par de sapatos quer quando vai às compras, as mulheres não. Mas não faz mal. Compram todos e fica resolvido o problema. Do mesmo modo, um homem sabe exactamente que mulher quer foder, como e quando. As mulheres não. Mas não faz mal. Criaram o mito de que “os homens são todos iguais” e logo, foder com um é foder com todos. E por aí fora.

Como o homem não evoluiu assim, sem o nosso caralhote estaríamos todos condenados a ser iguais ao Cristino: um bando de pilas moles que não encontrariam mal nenhum em serem vistos em público na companhia de uma balofa chamada Bidon. Portanto, gajas do mundo, da próxima vez que estiverem na companhia de um belo marro arrebitado façam uma vénia antes de o enfiarem nos sítios do costume. Se não por uma questão de respeito, ao menos porque se não tivesse sido pelo caralho não teria cá estado ninguém para tomar a decisão de inventar as vossas sandálias.

14 comentários:

  1. Fazer uma vénia a um caralho, de facto nunca me ocorreu, mas é caso para se pensar.

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  2. Nossa, adorei seu blog, virei fã!
    Obrigada pela visita, querido.
    Beijos.

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  3. Ahahahahahahahahah :D

    Meu, muito bom! Excelente texto, muito bem escrito!
    Já sou seguidora ^_^

    Beijos

    Obs: "traulitada na pachacha", nunca vi isso!!! Ahahahah

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  4. Ahahahahah, superaste-te Príapo! Mas quem lhe disse que não sabemos escolher com quem ter sexo? Sabemos, mas não podemos dizer é às claras porque não nos fica bem. E não, os homens não são todos iguais, pelo menos na cama não são, acho eu:PPPP
    Mas concordo quanto à vénia:P

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  5. Ah, é por isto que o poker de damas sempre foi a minha mão preferida...

    Sejam bem-vindas ao meu humilde antro de ordinarice priapista, caras embaixatrizes do curvilíneo sexo. É bom ver mulheres de metabolismo intelectual suficientemente saudável para digerirem o que aqui se lhes serve. Hoje quem faz a vénia sou eu.

    E,

    Vera: Não seja por isso, é uma questão de combinarmos. Tem é que ser para a semana.

    Amélie Bouvié: Eu é que agradeço. Digo o mesmo do teu blog.

    Gigi: Espanta-me que nunca tenhas ouvido a expressão "traulitada na pachacha". Não é mais do que aquilo a que no infantário todos chamávamos de "rebimbomalho na patareca".

    Brandie: Acho que quando as mulheres usam a expressão "os homens são todos iguais" querem dizer que os homens são todos iguais na cama, sim, embora julgue que se referem ao facto de já não estarem lá deitados na manhã seguinte.

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  6. Só vim cá retribuir a amabilidade e o cumprimento.

    Hoje somos poucos, amanhã seremos os mesmos (a menos que eu consiga atropelar a concorrência). Unidos venceremos, mas um de cada vez. Viva a puta de classes!!!

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  7. Perdoai-me, mas há ali uma gralha: onde se lê "puta de classes" deve ler-se "puta de classe".

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  8. Não quererias ter escrito "Vivam as putas de classe"?

    Seja como for: belo blogue. Prenhe de sábios conselhos e rico em vocabulário trauliteiro que é uma coisa cada vez mais complicada de encontrar.

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  9. As mulheres, iconoclastas e indecisas por definição, saem muito bem caracterizadas na frase «Criaram o mito de que “os homens são todos iguais” e logo, foder com um é foder com todos.» Um estranha, porém inusitada, verdade.
    A sapiência servida em doses bastante generosas.
    Um grande bem haja, oh Priapo.

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  10. andam por aqui os "meus" meninos???
    já vêm para aqui avardajar um blogue tão limpinho?
    Abonado, Bock, já pr'a casa, seus badamecos

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  11. Ainda bem que de iconoclasta não tenho nada, muito menos indecisa. E, para mim, nenhum homem é igual. E porquê? Porque todos os caralhos são diferentes e isso, meus senhores, isso é o melhor que vocês têm!

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  12. estas letrinhas chatas é que já saiam daqui, digo eu...

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  13. Esta caracterização das mulheres como coitadas (vitimas de coito) é que me parece errada. Elas são as grandes beneficiadas, nós homens temos alma de masoquistas. No restante parece-me bem, embora considere que o blogador deva proibir o acesso a menores de 30, ou a quem nunca ouviu dizer «traulitada na pachacha», o que vem a dar no mesmo.

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  14. ahahahah que riso

    "Do mesmo modo, um homem sabe exactamente que mulher quer foder, como e quando. As mulheres não. Mas não faz mal. Criaram o mito de que “os homens são todos iguais” e logo, foder com um é foder com todos." LOL

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