terça-feira, 20 de julho de 2010

Pelos olhos de uma gaja burra

Uma coisa que sempre me encheu de curiosidade é como será o mundo visto pelos olhos de uma gaja burra, dessas que quando calha apanharem um filme pornográfico a dar na televisão ficam a vê-lo à espera que o entregador de pizzas e a matrona viúva que se esqueceu de ir ao Multibanco se casem no final.

Ontem, o destino deu-me oportunidade de descobrir. Às custas de algumas mentiras desavergonhadas consegui trazer para casa uma moça cheia de sonhos que diz que nasceu para amar mas que na verdade nasceu foi para foder. A sua psicose tem duas facetas, como é comum nestas gajas que concluíram a menoridade antes do nono ano. Em primeiro lugar, está convencida de que se acreditarmos muito em nós próprios não há nada que não sejamos capazes de fazer, e em segundo, acha que tem futuro como actriz. Fiando-se neste duplo delírio começou por candidatar-se a papéis menores de longas-metragens, depois seguiu para peças de grupos de teatro amador, depois para vozes de desenhos animados, daí tentou ser menina sorridente de programa da manhã, a seguir fez uma audição para um anúncio de um creme qualquer para pôr na pachacha e está actualmente nos castings para uma nova novela da TVI. Falhou em todos os casos anteriores mas como acredita muito em si própria acha que desta vez é que vai ser. É nestas alturas que lhe ligo porque já sei que a euforia lhe dá para amar. Eu chamo-lhe foder mas ela diz que é amar.

Como sempre faço com gajas apaixonadas pela vida em geral comecei pelo minete, para consolidar a ilusão. O empresário sagaz sabe investir e aguardar com paciência pelos dividendos. Às tantas, volvidos escassos minutos de língua-na-crica, eis que entre gemidos a oiço dizer: ‘vai fofo, lembe, lembe… vai, não pares de lember’. Confesso que com aquela a puta apanhou-me de surpresa. Já fiz praticamente tudo o que pode ser feito com uma gaja nesta vida mas lember é coisa que para mim era novidade. Até ali só tinha lambido e nunca ninguém se tinha queixado. Foi então que o pensamento surgiu: “Por que não aproveitar esta oportunidade para ver o mundo pelos olhos de uma gaja burra, como sempre quis?” Decidido a fazê-lo, parei de lamber, respirei profundamente, voltei à carga e, um pouco nervoso por ser a primeira vez, comecei a lember.

Hoje, enquanto homem que já lembeu, posso finalmente afirmar sem mentir que experimentei a vida tal como é vivida pelas gajas burras, ainda que por breves instantes. Mas olhem que não é nada de especial… Mesmo o minete foi praticamente igual aos outros. Teve um coche mais de precariedade, só. Fora isso…

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A Mulher Perfeita

Aos fins-de-semana é meu costume reservar alguns minutos das minhas surfadas internáuticas para dar uma vista de olhos num fórum online de professores universitários que secretamente são também pastores zoófilos, só para me manter actualizado sobre o que vai acontecendo nesse peculiar e fascinante mundo do qual o cidadão comum tudo desconhece à excepção do queijo amanteigado. Agrada-me sobremaneira ler os relatos na primeira pessoa de ilustres membros da academia internacional que depois de um longo dia a leccionar imersos no sufocante pedantismo intelectual das universidades de topo não trocam por nada o simples conforto rural de uma dócil pachacha com lã à volta. Enfim, crónicas singelas mas muito ricas. Por isso é que me surpreendi tanto neste sábado que passou com a profundidade do tópico aberto por um dos membros - um especialista em literatura pós-colonial, segundo diz o seu perfil público, detentor de uma cátedra em Cambridge, actualmente de licença sabática algures em Serpa. A questão erguida por este indivíduo, revelando uma acutilância filosófica raras vezes vista em pecuária, foi a seguinte: "qual a essência da ovelha perfeita?"

Relaxe o esfíncter o paneleiro leitor desse lado, que não me vou pôr aqui a dissertar sobre a beleza que é encavar quadrúpedes herbívoros. Mesmo porque o mais perto que estive de fazê-lo foi quando fodi uma vegetariana à canzana, fora isso não percebo nada do assunto. Não, a verdade é que isto fez-me pensar sobre a essência da mulher perfeita. Como seria ela se existisse? Psicologicamente, quero eu dizer. Não falo do corpo que aí não é preciso puxar muito pela imaginação: bom tónus muscular, cona eficaz, daquelas elásticas, que não arranham o nabo como as das virgens mas ainda assim menos lassa que uma blusa da Bershka na época de saldos - e acima de tudo que não tivesse as beiçolas todas esbodegadas do uso que se há coisa que não suporto é quando vêm todas contentes a pedir festa e depois vai-se a ver têm a pachacha a parecer um repolho atropelado -, peida valente, de nalgas bem simétricas e resistentes ao tabefe, trombas jeitosas com jeito para chupar e umas tetas no mínimo do tamanho dos colhões do Cristo-Rei. Acho que não era pedir demais, caralho.

Agora, no que toca ao conteúdo da cabeça da gaja que não venha agarrado a mim é que é fodido. Mas julgo ter chegado a uma conclusão. Ou seja, sim, descobri a mulher perfeita, e sem mais delongas que se faz tarde, revelo: a mulher perfeita seria aquela que reunisse a um tempo os atributos físicos acima referidos e a mentalidade de um gajo porreiro. Ou seja, exceptuando nas partes em que interessaria que a gaja se mantivesse gaja, seria no fundo aquele amigalhaço que vai lá a casa de vez em quando para ver a bola. Imaginem se puderem… estarem com uma gaja podre de boa não tendo de fingir serem alguém que na realidade não são. Oh, admirável mundo novo…

A pensar nisto concebi um pequeno episódio que creio ter potencial para vir um dia a dar em novela. Começa comigo em casa à espera da mulher perfeita para ver futebol. Vejam lá se não seria maravilhoso:

A gaja entra pela porta já aberta. Encontro-me deitado no sofá, descalço e já bem entrado na terceira cerveja, de olhar fixo na televisão enquanto como uns restos de batata frita que encontrei no umbigo.

“Tão, táss bem?”, cumprimenta ela.

“Ya, abanca aí”, respondo, atirando para o chão as revistas que ocupavam quase todo o sofá sem desviar o olhar da televisão.

“Tá quanto?”

“Ainda não começou. Se quiseres bjeca vai aí ao frigorífico buscar.”

Em sinal de companheirismo para com a recém-chegada, solto neste momento um ou dois arrotos à pedreiro seguidos de um peido muito competente mas despretensioso, que dar dos bons antes do jogo é desperdício. Entretanto, já a gaja está a remexer no frigorífico.

“Olha, traz aí uma para mim também que esta já morreu!”, berro eu da sala.

“Okay. Queres média ou mine?”

“Mine. E traz também o saco de cacauetes que tá aí logo à frente na despensa.”

“Foda-se, não queres que te chupe a picha também, não?!”

Lá está, até aqui toda esta sequência de diálogo poderia perfeitamente ter-se passado entre dois gajos na vida real. A diferença na nossa novela manifestar-se-ia quando ela voltasse com as cervejas e os cacauetes e começasse mesmo a chupar-me a picha. Aproveito também o momento para referir que a gaja está bronzeada e de bikini, acabadinha de chegar da praia. Bom, continuando, inicia-se o bobó. Enquanto lhe manobro o rabo-de-cavalo com uma mão e mudo para o canal Panda com a outra para ir vendo enquanto o jogo não começa, apercebo-me de que o seu esguio pescocinho apresenta sinais de queimadura solar. Então, observando uma das mais antigas e ilustres tradições típicas da amizade masculina, expandida agora para uma versão unissexo, aproveitaria o momento para lhe afiambrar uma chapadona com toda a força em cheio no cachaço vermelhão, gritando em simultâneo “Escaldãozinho fodido, an?”. A diferença aqui relativa à circunstância normal entre dois gajos é que a presente situação traz o bónus acrescido de causar algum refluxo gástrico à gaja por se engasgar com a piça que naquele momento lhe ocupava a totalidade da boca e boa parte da goela.

“Tão, caralho?!”, diz ela toda ofegante, cheia de pintelhos e bocados de bola de Berlim semi-digerida nas bochechas.

“Xiu”, responderia eu, “aguentas e não choras que da outra vez fizeste a mesma merda quando cortei o cabelo. Se não gostas aprende a usar protector. Olha, pára lá de mamar e abanca aí que o jogo tá a começar”.

Limpando as beiças a uma almofada e trocando o meu mangalho por cacauetes, a gaja senta-se então no sofá a ver o jogo. Segue-se o típico chorrilho de caralhadas, invectivas ao guarda-redes e dúvidas erguidas quanto à legitimidade profissional do oftalmologista do árbitro - eu coçando a tomatada, ela o grelo -, tudo regado com muita cerveja e acompanhado de uma magnífica banda sonora de bufas, peidos e arrotos, no decurso da qual da qual percorreríamos destemidos toda a escala do mais grave ao mais agudo, tanto no sentido acústico quanto olfactivo dos termos.

Às tantas, como não poderia deixar de ser, começa a dar-me a mijadeira. Muito a custo lá me levanto, aproveitando a deixa para observar uma outra vetusta tradição entre machos compinchas: ao passar em frente da gaja, alço da perna repentinamente ao mesmo tempo que com a mão lhe encosto a boca aberta cheia de cacauetes mastigados às bordas do cu e largo uma bujarda daquelas que faz lembrar alguém a rasgar um lençol de flanela.

“Vai buscaréééé!”, comemoro eu. Ela, como gaja porreira que é, limita-se a responder com um “Ah é? Tás fodido, cabrão, vais ver”, que ambos sabíamos ser meramente um pro forma de preservação de honra mas que no fundo não constituía ameaça real de vingança, embora a justificasse se de facto viesse a acontecer.

No fim do jogo, se isto fosse um convívio de gajos, seria altura de pormos à prova a nossa virilidade jogando Pro Evolution na Playstation 2. No caso presente, como está uma gaja em casa, é altura de foder. “Primeiros a ser chupado”, aviso eu. “Primeiros o caralho”, redargue ela, e lendo a mente um ao outro desatamos a correr para o quarto, sempre à biqueirada e à rasteira, rebentando com a mobília toda pelo caminho enquanto tentamos enfiar com os cornos um do outro nos quadros da parede do corredor num frenesi competitivo em que só a vitória interessa e o resto que se foda. Depois de um soco bem aviado numa teta ganho a vantagem decisiva, pelo que sou de facto primeiros a ser presenteado com oralidade. De novo, como qualquer gajo porreiro, a gaja não ousa contestar a minha justa vitória e chupa piça e colhões em silêncio, com dignidade, sorvendo com gosto o apetitoso suor salgadinho gerado no esforço intenso da corrida.

Após restabelecida a equidade com um competentíssimo minetaço começa o regabofe propriamente dito, durante o qual a gaja se põe em todas as posições admitidas pela anatomia humana, mais duas ou três. Mas isto não é uma mera foda. É trabalho de equipa. Por exemplo, apesar da canzana ser sempre francamente agradável, tem o inconveniente de não deixar ver o que se passa lá à frente com as tetas, nem é posição que dê muito jeito para esborrachá-las com as mãos. Já não seria problema: graças à sua mentalidade de gajo ela compreenderia perfeitamente o meu ponto de vista e trataria de colmatar a falha apalpando-se a si própria como sempre fazia no duche, ao mesmo tempo que descreveria em detalhe tudo o que se estava a passar em toda a sua fulgurante pompa para que eu não perdesse pitada enquanto lhe mocava a filhós à bruta pelas traseiras.

“Cum caralho!”, grita a gaja, de voz meio soluçada devido às bombadas que estava a levar lá atrás na patareca.

“Que foi?”, pergunto eu, a tentar espreitar por cima dos ombros dela sem perder o equilíbrio.

“Havias de ver a rebaldaria de mamas que para aqui vai, em particular o modo como balançam para a frente e para trás numa frequência de aproximadamente vez e meia por segundo. Ai tão boas a nível de textura que são estas tetas, apresentando-se sedosas, levemente transpiradas e ainda um pouco meladas das chupadelas de há pouco, sendo que a rigidez dos mamilos rivaliza já com a dos botões do elevador lá do prédio da tua avó. Olha, agora que mudaste um pouco de ritmo, provocando-me espasmos de prazer, verifica-se que a trajectória das mesmas mudou ligeiramente, descrevendo cada teta um movimento circular independente que ocasiona a esporádica colisão de ambas na zona central do esterno, o que não só proporciona uma visão de rara beleza como é indicativo seguro de uma prateleira saudável e plena de potencial para te esfregar o nabo daqui a nada, após terminar o orgasmo que agora se inicia. É de realçar também…” E por aí fora.

A promessa da punheta de mamas cumprir-se-ia, claro, após a enrabadela da praxe. E aqui é que seria a parte mais maravilhosa da coisa. Não teria já de fingir ser amoroso e esperar até ao fim da trancada para ir ter com a malta e relatar a foda em detalhe nos termos em que realmente se deu. Poderia contar logo à gaja! De sarrafo abafado entre as suas generosas glândulas mamárias encetaria então com ela a amena conversa que em circunstâncias normais teria lugar mais tarde no café do Xô Manel:

“Bem, havias de ver há bocado quando estavas a levar nessa peida. Parecias uma porca a chiar.”

“A sério?”

“Tou-te a dizer. E então quando começaste a levar estaladas nas nalgas? Fizeste-te de esquisita mas também não me pediste para parar, levaste ali forte e feio. No fim ficaste com o cu que mais parecia o buraco de uma regueifa.”

“Foda-se, ando feita uma puta do caralho… Mas as gajas são todas assim pá, a gente diz que não gosta, não gosta, mas com ele no cu é que a gente tá bem.”

“Bardajonas do caralho, vocês...”

“Ai não.”

Não seria lindíssimo? E no final de tudo, em lugar do temido “amas-me?” meloso, iríamos à casa de banho à vez (obviamente de porta aberta, a ver quem fazia mais barulho com o mijo a bater na água da sanita), mais um peidinho, mais uma cervejinha e adeus até amanhã.

Isto, claro, não passa de ficção científica, mas caguei que sonhar é à borla. Seja como for tenho de admitir que apesar de tudo até nem é mau que esta situação seja impossível. Para já porque a nível teórico aproxima-se perigosamente da paneleirice, e depois porque uma gaja destas (sendo um gaja e não um gajo) não seria tanto uma amigalhaça porreira quanto uma porca do caralho. De onde se conclui que a mulher perfeita, afinal, é a mulher imperfeita, tal como existe. Quem diria? Isto a nível psicológico, note-se. No que ao físico concerne reafirmo a descrição dada anteriormente. Personalidade é importante e tal, tudo bem, mas a verdade é que nunca ninguém espetou o nabo em nenhuma.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Pela ÚLTIMA vez: Com ou Sem Pêlo?

Se há assunto mais batido que a punheta na blogosfera é o da cona peluda versus cona rapada. Tanto mais porque esta questão tem a peculiaridade de não ser tematizada em exclusivo pelo típico marialva virtual com a mania de que é escanção da vagina. As próprias gajas detentoras de blogs não raras vezes lançam o repto aos seus comentadores habituais para que divulguem as suas preferências, fingindo fazê-lo por simples curiosidade científica quando toda a gente sabe que bloguista feminina que se lembra de postar a famigerada questão encontra-se em vésperas de finalmente escancarar a tranca para levar com ele do novo namorado e está na dúvida quanto à fantasia masculina que estatisticamente será mais provável que o gajo tenha: foder uma puta ameríndia ou uma pita pré-liceal.

Seja como for, visto que punheta a mais é coisa que não existe, irei hoje tratar de divulgar o resultado da prolongada excogitação que dediquei a esta tão vetusta inquietação e que espero que lhe ponha termo porque a puta da conversa já chateia. Porém, ressalvo desde já que a perspectiva adoptada na peregrinação intelectual que se segue não será de todo em todo a mais comum, ou seja, não me limitarei a escrutinar ambas as categorias pachachais com o fito de concluir que uma é melhor do que a outra, sem ponto de referência que permita definir o que quer dizer aqui “ser melhor”. É que posto nesses termos minimalistas e simplórios nenhuma cona é melhor do que outra. Alguém alguma vez vai dizer que não a uma crica com base no grau de farfalho que apresenta? Se disser é porque é paneleiro. Não, aqui parte-se logo do princípio que o caralho é sempre bem recebido em qualquer pipi, tenha ou não tapete para limpar os pés antes de entrar.

Assim sendo, em termos técnicos a questão a ser tratada será a seguinte: “consoante o tipo de senisga (e.g. hirsuta ou calva, ambas sendo igualmente interessantes), deverá o homem rapar ou não a sua própria pintelheira de modo a potenciar o acto amoroso de espatifar o conedo da parceira à caralhada?” E adivinhando já o que de aí vem, o leitor que não se arme aos cucos dizendo ser indício de mariquice um homem rapar a colhoada, que muito actor porno com caralho maior que alguns braços o faz e logo aí morre toda a argumentação. O ponto que há a dilucidar é, portanto, se haverá uma conjunção ideal de pintelheiras entre macho e fêmea. Tem que se lhe diga. E direi.

Por razões de paleobiologia evolucionária abordarei primeiro a cona felpuda, porque realmente foi a primeira a surgir na Terra. Ora, não é difícil compreender por que motivo este tipo de senaita suscita um tão grande interesse no macho comum. Há algo de indomado, de selvagem, diria mesmo de mal-lavado na cona-mogwai. Esfodaçar uma é regressar aos gloriosos tempos das violações na savana depois de uma caçada bem sucedida. É transcender a foda urbana. Numa palavra, é revivalismo da caverna.

Como até estou bem disposto apresentarei ao leitor as minhas credenciais, relatando em breves palavras as minhas primeiras experiências com ambos os tipos de pipi. Só para que depois não andem para aí a dizer que no Príapo só se fala de teoria e prática 'tá quieto.

Como tantas e tantas outras histórias do imaginário colectivo, esta começa com um minete. Eu estava nervoso, como é óbvio, pois sabia que se não desse à língua com perícia a stôra insatisfeita não me daria o 4 a Geografia. Entrei para debaixo dos lençóis e no acto de lhe baixar a cueca senti algo semelhante a palha de aço roçar-me a mão. De início não liguei mas conforme os olhos se foram habituando à escuridão fui-me apercebendo do que era: ali comigo, debaixo dos lençóis, estava nada menos que o meu herói, Franz Beckenbauer. Só alguns segundos mais tarde me apercebi de que na verdade se tratava de uma cona frondosa como apenas certa flora amazónica sabe ser, e com patilhas. Nunca antes havia visto um tal ajuntamento de caracóis fora de um pires. E havia qualquer coisa de ameaçador no seu aspecto, algo de felino, da variedade persa, mas assanhado. Na altura ri-me desta comparação idiota, embora por via das dúvidas lhe tenha dado o dedo a cheirar antes de lhe fazer festinhas para lhe ganhar a confiança, porque a cona é inexpressiva e traiçoeira.

Então, inflando a peitaça com o ar que sabia ser rarefeito dentro daquela treva asquerosa, atirei com cada traço das minhas jovens feições lá para dentro e comecei a socar-lhe o clito com a língua que nem o Rocky na bola rápida. Quando emergi, meia hora depois, tinha perdido a minha infância e a pastilha gorila.

Vejamos agora a Giocona, também conhecida como cona lisa. Aqui a coisa muda de figura. A primeira destas que me calhou foi a de uma betinha universitária carregada de guito. Tinha todas as características típicas deste tipo de gaja: alta, podre de boa, tresandava a perfume, só vestia roupa caríssima, achava que sabia escrever maravilhosamente apesar de nunca ler nada, usava uns brincos que só lhes faltava terem jantes e dedicava cada momento da sua vida a tentar convencer todos à sua volta que quando cagava saiam libras de ouro. Curiosamente não deu tanta luta como antecipara. Na altura eu era menino, ainda não tinha descoberto que gajas destas quando bebem são mais porcas a foder que os pobres.

A situação foi semelhante à anterior: preparei-me para o minete, baixando a cuequinha de marca à espera de encontrar um mínimo de farfalheira, como era de costume. Eis que, contra todas as expectativas, encontro o que tantas vezes vi na primária aquando das minhas incursões de surpresa aos balneários femininos antes das aulas de natação, sacudindo o meu barrotinho para assustar as meninas. Emergi dos lençóis que nem um suricata à espera de ver a bófia a entrar no quarto. 'Olha lá', disse eu, à rasca, 'que idade tens afinal?!'. 'Vinte e dois', respondeu ela. Não convencido, pu-la à prova: 'Então diz lá quantos afluentes tem o Tejo?'. Como ela não sabia fiquei mais aliviado. Desconfiem das gajas que têm essas merdas fresquinhas na memória.

De espírito mais tranquilo iniciei o minete, mas deu-se um estranho fenómeno. Principiou a crescer em mim um inusitado sentimento paternal derivado da ausência total do típico relvado capilar genital. 'Onde é que está a pachacha, an, está onde? Ah tá quiii!', não resisti a dizer, todo brincalhão. Ela levantou os lençóis e dirigiu-me lá de cima aquele olhar de rica que faria qualquer gajo sentir-se menos que merda. Sem perder a boa disposição, comecei a fazer-lhe cócegas no clito com o dedo enquanto fazia 'cutchi cutchi cutchi!' em tom pueril. E ela, nada. Ficou só ali especada de trombas a olhar para mim. Por fim, quase a desistir, sem interromper o movimento de coceguinhas no clito, fiz 'Gucci Gucci Gucci!'. Ah, como ela ria e galhofava e batia as palminhas. Pouco depois levou com o Aníbal e lá se calou com a risota que já me começava a enervar.

Estas foram as primeiras experiências mas várias de ambos os tipos se seguiram, o que julgo atribuir-me uma certa autoridade para retirar algumas ilações com vista a responder à questão inicial. Passemos lá então à parte analítica da coisa.

Primeiro, se a mulher for bem pintelhuda, deverá o homem desbastar pelo menos um pouco a juba da piça ou estará muito bem assim como está? Bom, antes de mais nada há que desmistificar a noção de que duas fartas pintelheiras em contacto reagirão como películas de velcro. É falso. Quando muito haverá algum efeito de aderência motivado pela esporra e cuspo que ficam ali a marinar nas silvas mas isso até tem a sua piada. Agora, que há algumas desvantagens, há. Por exemplo, quando o novelo de ambos os lados é igualmente impressionante, corre-se o risco de ainda nem se ter encostado a sabarda ao bordalo e já se ter perdido o norte, e depois aí quero ver como é. Enfiar uma mão para fazer de guia só ajuda se esta se fizer acompanhar de lâmina de barbear, essa catana do mato pintelhal. Só que nesse caso, lá está, corre-se o risco de o que era suposto ser queca foliona devir bar mitzvah trapalhão. Convém evitar.

E se ambos os lados estiverem depilados? É sem dúvida uma situação curiosa mas também tem os seus inconvenientes. Privado da sua almofada natural de pêlo facilmente se criam hematomas no saco escrotal durante o seu badalar rítmico em pipi desataviado do capote de pintelhos que Deus lhe deu. Mais: há o risco de não se resistir ao supramencionado sentimento paternal e pôr a gaja ao ombro para arrotar depois do broche. Acreditem que elas levam a mal. Acresce ao anterior o facto de que sem cabelo a que se agarre, o piço anda ali constantemente a patinar e corre o risco de se desentalar sem querer e ser atirado de cabeça contra um osso qualquer da anca da gaja, que parecendo que não à volta da rata há esqueleto que nunca mais acaba.

Portanto, concluo que o homem não se deve ficar por um tipo de pipi nem deve ter um preferido, mas que se tiver oportunidade disso deverá levar o marro ao barbeiro se for arrebimbar pito com esplendorosa hortaliça, e deverá levá-lo desgrenhado se a gaja tiver tido a gentileza de desbastar a periferia do grelo antes de servi-lo. Espero que seja desta que se acaba de uma vez por todas com o interminável debate sobre que cona é a melhor porque isso é uma paneleirice do caralho. Foda-se, meus, tenham lá vergonha.

Quanto a vocês, gajas, em vez de perderem tanto tempo a fazerem permanentes ao pito ou a raparem-no estrategicamente fariam melhor em dar-lhe mais uso que essa merda não é nenhum caniche.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Por que temos um caralho?

Às vezes dou por mim a pensar que as gajas não percebem mesmo o que é que uma piça significa para o seu dono. A compreensão que a mulher comum tem do barrote é um bocado como a que tem de informática: tudo o que transcender a óptica do utilizador é um mistério insondável. É bom para chupar e levar com ele, o resto que se foda. Ora, eu até estaria disposto a arquivar este fulgurante exemplo de estupidez feminina ao lado de outros clássicos como a incapacidade de memorizar para que lado os parafusos apertam ou as unhas de gel, não fosse o caso dessa ignorância acarretar consequências nefastas para nós que temos um piço e que temos de aturar as vossas merdas. Não pretendo perder tempo a tentar explicar-vos o que é ter um caralho ou a relação que cada homem mantém com o seu. Seria esforço não menos vão que tentar explicar-vos a importância de sermos nós a ter o comando da televisão na mão. Não, o que vou fazer é contar-vos uma história como se faz às criancinhas. Com alguma sorte pode ser que consigam vislumbrar o que quero dizer.

Esta é a história de Cristino, o homem mais indeciso do mundo.

A terrível indecisão de Cristino manifestou-se pela primeira vez no dia em que nasceu. Enquanto a sua mãe mugia que nem uma vaca na sala de parto, o seu pai patinhava de lá para cá na sala dos cornos à espera que a puta parisse. Nisto, surge o obstetra:

- ‘Desculpe, o senhor é o marido da senhora Enfímia?’, perguntou.

- ‘Não, ele não pôde vir’, respondeu o homem, visivelmente preocupado. ‘Sou Armando, o pai da criança’.

- ‘Muito bem’, continuou o médico. 'Vim aqui ter consigo para lhe fazer uma pergunta. É muito importante por isso peço-lhe que responda honestamente. Diga-me… Quando concebeu o menino Cristino, enrab… fez sexo anal com a sua mulher?’

- ‘Sim, claro”, retrucou Armando, espantado por ter sido preciso perguntar. ‘Porquê?’

- 'Bom… passa-se o seguinte. O seu filho sofre de uma patologia conhecida como “morte iminente”, causada por uma outra designada de “confusão mesentérica extrauterina”, também conhecida entre nós, obstetras, por “Andreia Margarete”’.

- 'Não percebi...'

- 'Deixe-me tentar explicar em termos mais simples. Acontece que em raras ocasiões, quando o acto sexual que leva à concepção da criança envolve enrab… sexo anal, a esporr… o espermatozóide não sabe bem para onde ir e aloja-se entre os intestinos e o útero. Isto origina durante a fase de gestação uma crise existencial pré-natal que faz com que o feto fique sem saber muito bem qual o seu lugar no mundo.’

- 'Como assim?', indagou Armando, confuso. 'Está a dizer-me que o meu filho vai ser metade homem metade cagalhão?'

- 'Não, não, percebeu mal. O Cristino crescerá como uma criança normal. Será apenas um pouco cara-de-cu mas meramente por motivos genéticos. O problema é com a sua esposa.'

- ‘O quê?! Não me diga que ela veio cá ter!’

- ‘Desculpe, referia-me à senhora Enfímia. É que dada esta confusão, a criança não poderá nascer de parto normal nem de cesariana.’

- ‘Quer dizer que… terá que nascer pelo cu?’

- ‘Também não. O cu da senhora Enfímia ainda não recuperou totalmente da concepção, seria demasiado arriscado…’ E pousando uma mão consoladora no ombro de Armando, procurando a custo conter o riso, concluiu, ‘Lamento, mas o seu filho terá que nascer pelo períneo.’

Obtido o consentimento formal de Armando, entraram ambos na sala de parto para dar início à perigosa intervenção cirúrgica. Depois de aberto um buraco no períneo de Enfímia, o obstetra enfiou uma mão lá dentro e começou a escarafunchar. Passados alguns minutos de esforço, uma enfermeira anunciou de repente: 'Já se vê a cabeça!' Armando chorava e ria de felicidade. 'E agora já se vêem os colhõezinhos!', disse a mesma enfermeira alguns segundos mais tarde. Ao ouvir isto, Armando saltou do lugar e foi ter com obstetra. 'Desculpe, você não me disse que o meu filho ia ter colhões na cabeça', sussurrou, preocupado. O obstetra deu uma chapada na sua própria testa e depois outra na de Armando. 'Valha-me Deus, homem', disse ele. 'Pare lá de ser estúpido. Colhões na cabeça… olhe que você… Para já a cefalocolhoíte é uma condição raríssima transmitida só de tios para primos, e depois você não tem antecedentes na família. Não, a enfermeira referia-se à cabeça da gaita do seu filho. É bastante comum nos partos via períneo que o pénis saia primeiro. Anime-se, o facto da coisa seguinte a sair terem sido colhões é um excelente sinal. Olhe que nem sempre é assim… Uma vez num caso semelhante sabe o que é que saiu a seguir ao caralho?...’. ‘O quê’, perguntou Armando, intrigado. ‘Outro caralho’, respondeu o obstetra. E ficaram bons amigos.

De maneira que foi assim que se passou o episódio do nascimento de Cristino. Porém, a confusão com que o rapazola viera ao mundo agravar-se-ia nos anos seguintes. Por mais que os pais insistissem, Cristino não era capaz de decidir fosse o que fosse. Mijava sentado ou de pé? E cagar, como é que era? Mamava nas tetas da mamã ou na piça do papá? E depois, engolia ou não? As indecisões multiplicavam-se dia após dia, e o rapaz só não ficava completamente imobilizado pelas suas dúvidas porque não se conseguia decidir a fazê-lo.

Quando entrou para a escola a coisa piorou devido à crueldade dos seus colegas. O que mais lhe custava era a constante gozação com a óbvia ambiguidade sexual do nome “Cristino”. No recreio, era sempre a mesma coisa. Primeiro, chamavam-no: “Cristino! Ó Cristino!”. E depois, quando ele olhava, gritavam todos em coro: “Vai pó caralho!”. E o jovem começou a ter medo de dizer às pessoas como se chamava.

Anos mais tarde, começou a namorar com uma gorda horrorosa conhecida na escola por Bidon que se apaixonou por ele quando lhe perguntou se a achava feia e ele respondeu que não sabia. Bidon foi, aparte dos seus pais, a única pessoa a importar-se com Cristino e nunca desistiu de tentar curá-lo da sua indecisão paralisante. Especialmente porque tinha o adiposo pito aos saltos e Cristino não se decidia a fodê-la por mais que ela tentasse excitá-lo, por exemplo, apagando a luz ou vestindo uma gabardine mais ousada. Um dia, enquanto Cristino dormia, Bidon decidiu fazer-lhe um broche de encorajamento. Foi nesse momento que se fez uma importante descoberta: Cristino não conseguia ter tesão. A badocha bem mamou até começar a entrar pó pelo cu de Cristino mas era o mesmo que chuchar numa meia rota. Depois disto foram a todos os tipos de médico mas nenhum conseguiu descobrir porque é que Cristino não conseguia ficar de pau feito. Era inexplicável, não havia problema hidráulico algum. Os psicólogos também não deram em nada embora se tenham mostrado mais compreensivos, visto que a maioria sofria do mesmo problema. Então, Bidon teve uma ideia: levar Cristino ao obstetra que lhe havia feito o parto.

Decorridos meses de buscas, finalmente encontraram-no. Estava em Coimbra numa convenção de sem-abrigos à qual fora dar uma palestra sobre o dilema ético de limpar o cu às revistas Cais que ficaram por vender ou não, de modo a evitar ficar com assadura na bilha depois de um copioso repasto de Whiskas, receita de salmão e cenouras, que sabe bem mas faz cagar macio. Ao ouvir Bidon a relatar o caso, o obstetra mostrou-se preocupado e compreensivo, pelo que imediatamente a seguir a assaltá-los procedeu a examinar o piço de Cristino. Não tardou a chegar a uma conclusão. Segundo explicou, em cada 1000 casos de parto pelo períneo havia um em que o nervo que faz a ligação entre o caralho e o cérebro era cortado, e sem esse nervo activo não há cá tesão para ninguém. Era preciso restabelecer essa ligação. O próprio obstetra ofereceu-se para fazer a cirurgia necessária. Levou Cristino para o seu bloco operatório na casa-de-banho de um restaurante chinês e usando apenas um crepe e uma colher de gelado Epá remendou o defeito de nascença. E ficaram bons amigos.

Eis-nos agora chegados ao ponto que interessa. Após a cirurgia, não só Cristino passou a ostentar um dos mais rijos sarrafos que este nosso Portugal já viu como se tornou extremamente assertivo nas suas decisões. A primeira que tomou foi a de despachar a Bidon. Não ficaram bons amigos. A partir daí, aproveitando o embalo, decidiu tornar-se empresário e criou uma cadeia de restaurantes. Infelizmente, as pessoas não se sentiam à vontade a comer ao lado de prisioneiros e o negócio faliu em menos de um mês. Em todo o caso, viveu feliz até ao fim dos seus dias trabalhando como profissional de pornografia hardcore, tendo morrido honrosamente nas filmagens da sua última longa-metragem por se ter mostrado inamovível na decisão de tecer uma violenta crítica cinematográfica à barbárie da tauromaquia vestindo-se de matador e enrabando um touro furioso de meia tonelada no meio da arena.

Aqui termina a nota biográfica do meu avô Cristino, que espero ter sido elucidativa. A lição a retirar é a de que o caralho do homem é mais do que uma ferramenta útil para dar traulitada na pachacha. É o centro de tomada de decisões sem o qual o cérebro masculino nada consegue fazer. Claro, as mulheres conseguiram compensar a falta de piça ao longo do seu percurso evolutivo de outra forma: eliminando a necessidade de optar. Por exemplo, ao passo que um homem consegue decidir num instante que par de sapatos quer quando vai às compras, as mulheres não. Mas não faz mal. Compram todos e fica resolvido o problema. Do mesmo modo, um homem sabe exactamente que mulher quer foder, como e quando. As mulheres não. Mas não faz mal. Criaram o mito de que “os homens são todos iguais” e logo, foder com um é foder com todos. E por aí fora.

Como o homem não evoluiu assim, sem o nosso caralhote estaríamos todos condenados a ser iguais ao Cristino: um bando de pilas moles que não encontrariam mal nenhum em serem vistos em público na companhia de uma balofa chamada Bidon. Portanto, gajas do mundo, da próxima vez que estiverem na companhia de um belo marro arrebitado façam uma vénia antes de o enfiarem nos sítios do costume. Se não por uma questão de respeito, ao menos porque se não tivesse sido pelo caralho não teria cá estado ninguém para tomar a decisão de inventar as vossas sandálias.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A Guerra da Foda

Até nem me dava jeito vir aqui hoje mas os acontecimentos da manhã de ontem revestem-se de interesse para o conjunto global da Humanidade e exigem ser partilhados. Julgo que todos poderão retirar uma lição do que se segue que servirá para toda a vida. Ora lá vai alho.

A manhã começou igual a tantas outras. Por volta das 8h fui acordado pela nutricionista com quem partilhava a cama. Pelos vistos já estava recuperada do arraial de piçada da noite anterior pois vi que o grelo já lhe estava a pedir foda outra vez. Pressenti que assim era devido àquela sensação bem conhecida que se me dá no caralho sempre que uma gaja nas minhas imediações está com ganas de levar com ele, causada pelo roçar da minha glande na parte interior das suas bochechas. Reconheci de imediato o formigueiro familiar e não me fiz rogado. E nem precisei de esperar muito. Ainda embrenhado na bruma do torpor matinal, antes sequer de conseguir abrir os olhos, já ela tinha arreganhado a tranca e se pusera a cavalgar o meu barrote como se viessem lá os índios. “Olha que bem”, disse de mim para mim. Pus as mãos atrás da cabeça, suspirei e deixei-a trabalhar. Abrindo por fim as pálpebras, fui brindado com a visão das suas tetas a ir e vir, o que me transportou por momentos para a visita de estudo ao Planetário no 7º ano. Bons tempos. Assim sim, vale a pena madrugar.

E foi então que tudo começou. Comecei a ouvir gemidos de quem estava a foder que não vinham do meu quarto. Após uns momentos de dúvida apercebi-me de que vinham do apartamento de cima. Tornou-se rapidamente óbvio que o meu vizinho, tal como eu, se encontrava em pleno chavascal. Mas – meu Deus – a puta que ele se ocupava a arrebimbar berrava num timbre operático que teria feito o próprio Wagner cagar-se até aos coturnos. Percebia-se também pelo sotaque imbuído nas suas interjeições que a senhora em causa era natural do Brasil. Acompanhando a sua poderosa exibição vocal ouvia-se e sentia-se pela vibração das paredes um batimento ritmado que deixou bastante claro que o meu vizinho não era nenhum amador da arte de bem foder. A nutricionista borrifou-se no assunto. “Deixa-os estar, eles que fiquem na deles que nós ficamos na nossa”, disse ela. Percebi logo que ela não compreendia… Nenhum de nós o tinha pedido mas estávamos em plena guerra. “Ah é?!” bradei eu, sacudindo o punho ao tecto, tentando em vão fazer-me ouvir sobre a gritaria e pancadaria de caralho que ia no andar superior. “Já te conto, seu filho da puta”.

Senti que Deus me tinha incumbido uma missão e que não podia falhar. Simbolicamente, pus-me em posição de missionário e comecei a rechear a gaja de piça que nem um peru. No andar de cima, o chavascal aumentou de imediato. Tinha começado o confronto. Agora era entre mim e o vizinho, a minha némesis, o anti-Príapo. Não podia claudicar. Meti uma abaixo e comecei a escachar aquela pachacha com tal vigor que em minutos o quarto ficou envolto numa densa névoa, que estranhamente apresentava um distinto odor a bacalhau à Gomes de Sá. A nutricionista, numa soberba ironia profissional que mesmo na altura não pude deixar de notar, parecia uma porca na engorda e gritava como se lhe estivessem a matar a mãe enquanto o seu contador de orgasmos rodava que nem uma slot machine. Estava a bombar-lhe na cona com tanta força que comecei a sentir o caralho a bater no colchão mas mesmo assim era notório que no andar de cima o que se estava a passar roçava o olímpico porque começaram a cair fios de pó do tecto, e se a competição em que nos encontrávamos tivesse juízes de certeza que os danos estruturais no prédio contariam em caso de empate. Era um facto, a vantagem estava do lado do vizinho. Algo teria que ser feito, e rapidamente.

Olhando então para a parede atrás da nutricionista, exclamei “olha ali um bicho!”. Depois de ela se virar para trás para ver foi fácil pôr-lhe o resto do corpo à canzana. De mãos acopladas à curvinha da anca senti então que tinha escolhido a táctica mais adequada àquele adversário. Inspirei fundo, apontei o piço ao alvo, puxei a culatra e arrebanha que é carneiro. Agora sim, a coisa estava renhida. As charutadas que estava a aviar naquela pachacha fariam um geólogo temer pela estabilidade da placa continental mas isso agora era secundário. Ainda assim o vizinho e respectiva parceira continuavam a foder ao mais alto nível. Não pude deixar de sentir um certo respeito pelo inimigo, concedo. Para produzir um pouco mais de efeito sonoro inclinei-me para a frente de modo a desequilibrar a gaja. Funcionou: agora a cada pichotada a gaja batia com a testa na madeira da cama. Era mais um barulho a ajudar. Não satisfeito, alcei da manápula e comecei a afinfar estaladas naquelas nalgas com toda a força. Isto motivou-me porque me imaginei aplaudido.

Contudo, novamente, o andar de cima começou lenta mas progressivamente a ganhar terreno e a mão já me começava a doer com tanta bofetada na peida. Quem entrasse ali e visse o cu à nutricionista dar-me-ia os parabéns pela coragem de foder um babuíno mas mesmo assim não estava a ser suficiente. Porém, como sempre, recusei assumir a derrota. Decidi que o plano de lhe bater na peidola era bom, mas que necessitaria de recorrer ao uso um objecto para fazê-lo porque sempre faria doer menos (a mim). Cheguei a pensar em usar o candeeiro mas aquilo ainda era grande e tinha vidro. Imediatamente visualizei o que restava dele erguido na mão de um magistrado do Ministério Público a sorrir triunfante enquanto eu balbuciava desculpas no banco dos réus como um idiota. Pus a ideia de parte. “Pensa, Príapo, pensa”, monologuei entre duas berlaitadas.

Então, ocorreu-me a solução. Dobrando-me para a frente, fingindo dar beijinhos consoladores à gaja – que estava a choramingar há já uns minutos –, abri a gaveta da mesa de cabeceira onde costumo guardar os livros soporíferos que leio quando tenho insónias. Finalmente, por baixo do Equador do paneleiro do Tavares, encontrei o que procurava: a temida obra de Santo Agostinho, A Cidade de Deus, volume III, edição da Gulbenkian. 2542 páginas em capa dura. Era a coisa mais pesada que conseguiria arranjar sem ir à sala buscar a televisão. Interrompendo os beijinhos, contemplei então aquele cu vermelho. Devagarinho, para não dar muita bandeira, estiquei o braço de livro na mão. Com a outra, apontei a gaita ao alvo uma vez mais. O que se seguiu foi simplesmente épico. Sem aviso prévio, comecei a aviar caralhada naquela cona à velocidade da água da torneira enquanto dava chapada após chapada com a boa da Cidade de Deus nas bimbas descobertas da gaja, que começou novamente numa gritaria que até dava gosto. “Ah, caralho!”, berrei, quase em êxtase. O meu regozijo não cabia em palavras. Tinha finalmente descoberto a utilidade da filosofia medieval. Porém, passados vinte minutos disto a nutricionista desapontou-me, pois desmaiou. Entretanto, a brasileira e respectivo amante não davam mostras de cansaço.

“Tão, pá?!”, disse eu à puta desistente, “é para foder ou é para dormir?” E tomado pela fúria, espetei-lhe com o referido livro nos cornos com tal força que me saiu a voar das mãos e foi espatifar a lâmpada de lava que estava na mesa de cabeceira do outro lado da cama.

Nesse momento, fez-se silêncio no andar de cima. Mas durou pouco. De repente, ouviu-se um berro ao pé do qual todos os anteriores foram peidinhos de cona, e o tremor do prédio que se seguiu fez-me sentir como um gato numa máquina de lavar roupa no programa de lavar cobertores. Percebi logo... aquele chinfrim todo só podia significar uma coisa: anal. E agora, o que fazer? A nutricionista não curtia anal. “Mas espera lá”, pensei, “Foda-se, que estúpido…”. A gaja estava desmaiada, ela daria lá por isso. Era como nos jogos de porrada: depois de um combo fodido o adversário às vezes ficava zonzo uns cinco segundos. Nessa altura estava vulnerável a qualquer ataque. Sem querer perder mais tempo, apontei o azimute um pouco mais acima do que ela estava acostumada e sem grandes cerimónias inaugurei-lhe a bilha.

Isto teve um efeito inesperado, curioso do ponto de vista científico mas desagradável em termos práticos. É que devo ter-lhe activado um mecanismo evolucionário qualquer de protecção contra a enrabadela involuntária porque assim que o meu barrote se pôs a espreitar para dentro da parte terminal do seu tracto digestivo, as costas delas arquearam-se num espasmo que só me deu tempo de ver uma nuca a vir direitinha ao meu nariz. Naturalmente, aí ela acordou.

Os vizinhos continuaram a foder mas ela não queria saber disso, estava pior que estragada e anunciou que se ia embora. Uma vez que o cu todo inchado das palmadas já não lhe cabia nas calças, abriu o roupeiro e vestiu os calções XL da O’Neill que tive de comprar quando comi uma delícia do mar estragada no Algarve e fiquei semana e meia com elefantíase nos colhões. Depois foi-se embora, e com isto a vitória escapou-me das mãos.

Desesperado e com um mau perder do caralho, corri atrás dela de papel higiénico enfiado nas narinas ensanguentadas a implorar que não desistisse já, prometendo que a partir de agora usaria só o Memorial do Convento. E eis então que mal ela sai a correr da porta da rua entra no prédio nada menos que o meu vizinho de cima, claramente acabado de chegar da praia…

Bom, abreviarei os detalhes. Em poucas palavras, o meu vizinho afinal não estava em casa. Sucedeu apenas que tinha mandado demolir a parede de um dos quartos para fazer uma sala maior e como era alérgico ao pó foi-se embora para a Caparica. Livres para fazerem o que quisessem, os brasileiros que faziam a obra não viram problema em pôr filmes porno aos altos berros para dar um ambiente familiar ao local de trabalho.

Agora que penso bem no assunto não vejo bem qual é a moral desta história. Sem dúvida que o leitor que pense envolver-se em semelhante disputa com um vizinho terá aprendido a certificar-se em primeiro lugar de que não se porá a esfalfar-se todo a foder contra uma empreitada. Ou talvez ninguém tenha aprendido nada e de tudo isto se conclua apenas que sou um estúpido do caralho. Não sei.

O que sei é que dei luta contra o som de uma equipa de trolhas a rebentar com uma parede de cimento e tijolo com pornografia brasileira no volume máximo de um LCD de 42 polegadas. Meus amigos, podem dizer o que quiserem. Mas lá que foi d’homem foi, e isso ninguém me tira.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Comunicado às mulheres

Sinto por vezes que a minha escrita aqui tende a ser demasiadamente focada na vivência masculina e que injustamente deixa um pouco de parte a feminina. Isto deixa-me algo preocupado. Não quero de modo algum que a leitora desse lado julgue que não é bem-vinda aqui ou que menosprezo a importância do seu papel na ordem natural das coisas. Por isso, sentado aqui hoje, impossibilitado de andar e com um saco de gelo aconchegado entre as virilhas, lembrei-me de fazer uso deste post para enviar duas mensagens que julgo pecarem por tardias às mulheres de todo o mundo. Aqui vão elas, numeradas e tudo:

Mensagem 1: Vocês não sabem bater à punheta. Não sabem e ponto final. Não sei se é por instinto evolucionário originado pela prática milenar de fazer canja ao marido corno que tratam o caralho como se estivessem a arrancar a pele a uma coxa de galinha mas não é assim que essa merda se faz. Será preciso explicar que o uso de expressões como “pau”, “bacamarte” ou, no meu caso, “menir”, em referência ao barrote não passam de metáforas? Ou acham mesmo que nos referiríamos à fonte da nossa virilidade como “aquele órgão que, apesar da sua impressionante rigidez, é extremamente sensível e propenso à dor se tratado como quem manobra o cabo da vela central de um baleeiro durante uma tempestade no Báltico”? Digam-me uma coisa… alguma vez ouviram a expressão “doer para joelho”? Ou “doer para pé”, “pâncreas”, “clavícula”, ou “úmero”? Não, pois não? A expressão correcta é “doer para caralho”, certo? Pronto, então façam lá as contas, ó burras.

Mas enfim, como tenho a certeza de que vocês vão sempre achar que sabem mais do que aqui o Príapo e que vão bater a vossa ocasional punheta diga eu o que disser, consintam ao menos que vos dê um pequeno conselho: da próxima vez que estiverem com um gajo, perguntem-lhe como se chama o pai dele antes de começarem a esgalhar-lhe o nabo. Se a resposta não for “Gepeto”, sejam delicadas.

Mensagem 2: Nós não queremos que nos batam à punheta. Esta é outra que os homens ao longo dos séculos têm cometido o erro de achar que é óbvia. Sinceramente, acham que precisamos da ajuda de alguém para bater à punheta? O que é que vocês julgam que temos andado a fazer desde a pré-primária? Imaginem lá o cenário que se segue: um homem encontra-se todo nu diante de uma gaja também toda nua. A gaja é boa. Há pito, há boca, há cu e todos se encontram desoladoramente sem nada que preencha o seu vazio existencial. Digam lá, acham que o primeiro pensamento a cruzar a mente deste indivíduo vai ser “venham de lá essas falanges”? Foda-se.

“Ah, mas se vocês gostam de bater à punheta sozinhos também hão-de gostar que a gente o faça”, dirão algumas de vós, invulgarmente burras mesmo para o padrão feminino. Respondo recorrendo a uma metáfora porque se não forem treinando nunca mais vão aprender a identificá-las: o motivo pelo qual esse argumento é uma estupidez tem qualquer coisa a ver com o motivo pelo qual o escritor Daniel Defoe acabou por não ir em frente com a sua ideia original de pôr o Robinson Crusoe a acordar depois do naufrágio na orla costeira de uma península deserta. Puxem pela cabeça que chegam lá.

E agora se me dão licença, tenho de ir pôr Betadine.

sábado, 3 de julho de 2010

A Cona Inteligente

Como disse a minha avó com o seu último fôlego neste mundo, poucas horas antes de perder a batalha contra o tumor cerebral que a deixou de cama em agonia por quatro longos meses: ‘a gaja boa e inteligente é o Santo Graal da foda’.

Quer a inesperada afirmação lapidar tenha sido produto de desregulação bioquímica resultante da supramencionada patologia, quer tenha sido a verbalização da Verdade suprema que se diz que alguns vislumbram antes de morrer, o que é certo é que a velha acertou na muche. Não há nada a que o homem digno desse nome mais aspire do que afinfar com o seu falo túrgido em pito culto. E por “pito culto” entenda-se aquelas gajas que sabem o que quer dizer “falo túrgido”. Não cometa o leitor o erro comum de julgar que me refiro a todas as gajas em geral que usem óculos.

Note-se que dou razão à falecida avó não apenas com base no critério da dificuldade que sem dúvida existe em encontrar uma tipa que conjugue a um tempo um corpo de estrela porno e uma mente familiarizada com os clássicos. Não. A verdade é que a cona esperta é a mais apetecida acima de tudo pela extrema dificuldade que há em engatá-la, pois sucede que toda a gaja que tenha lido qualquer coisa mais profunda que a Caras mais do que uma vez torna-se inevitavelmente feminista, e a partir desse momento ou dá em fufa ou mete a pachacha a funcionar num regime semelhante ao dos arquivos da Torre do Tombo: só lá entra um número restrito de especialistas por ser material valioso demais para andar a ser manuseado pela ralé de unhas cagadas. Falo-vos nisto porque ontem estive na presença do Santo Graal. Eis o relato do que se passou. Atentem.

Estava eu num bar a tomar um copo com dois amigos quando entrou uma gaja que nunca antes tinha visto, conhecida de um deles. Como já tinha bebido um bocado e estava escuro confesso que de início a subestimei mas bastou vislumbrar toda a glória da sua peida em grande plano quando se dobrou para dar o beijinho de olá ao meu amigo da esquerda para confirmar que um único fim de semana na companhia daquele cagueiro seria suficiente para assegurar a solvência da indústria nacional de lubrificante até ao fim do ano. Decidi ali mesmo que, antes do nascer do Sol, algures no corpo dela haveria piça e seria a minha.

Mas a puta revelar-se-ia súcubo... Assim que se sentou começou de imediato a debitar palavras de excitação pela insuperável interpretação do King Lear a que tivera oportunidade de assistir aquando da sua estadia em Londres na semana transacta. Aproveitando o embalo, fez uma crítica sumária das suas peças shakesperianas favoritas que me deixou de queixo à banda. Não fosse o salto absolutamente ilógico que fez de repente para Dostoievsky e ter-me-ia esquecido de que era uma gaja que estava a falar. 'É certo que muita da acrimónia patente nas palavras de Ivan Karamazov na sua exposição do Grande Inquisidor a Aliosha', disse ela, 'é efeito da ferida aberta na sua mente causada pela relação atribulada que tinha com o seu pai, que todos tão bem conhecemos. Mas apesar disso, estou em crer que há um fundo de verdade na parábola. Quer dizer, qual de nós pode realmente dizer que deseja a liberdade que Ivan afirma que Cristo nos deixou em legado?’. E pondo um sorriso trocista, rematou: ‘No fundo, acho que o que todos queremos mesmo é sermos pregados à cruz ou termos o poder de pregar lá os outros. Viver sem cruz é que não!'

Depois desta sequíssima tirada intelectualóide, todos à minha excepção se puseram a rir pelo nariz de boca fechada que nem aristocratas de pila mole. Mal sabia ela que os tansos que a acompanhavam nos risinhos não tinham percebido patavina do que ela tinha dito e que estavam muito menos interessados no que ela tinha a dizer sobre os grandes êxitos do romantismo russo do que no abanar alarve das suas mamas causado por aquele estúpido ataque de hilariedade académica. “Ah, sua granda puta…”, murmurei, "com que então és dessas".

Nisto, a cabeça de um dos gajos pariu a triste ideia de alvitrar qualquer coisa bem pensada a ver se por sorte lhe calhava cona na rifa. 'De facto', disse ele, traçando a perna e juntando as pontas dos dedos, 'julgo que a própria Bíblia, se de facto foi escrita por Deus como muitos dizem, será uma obra apenas semi-autobiográfica'.

Em silêncio, a gaja olhou para ele como quem olha para o único ocupante de um elevador a tresandar a bufas. Depois disto foi a vez do outro gajo, mas não conseguiu fazer muito melhor. Quando ela lhe perguntou se ele gostava de Kafka e ele respondeu que sim porque era uma capicua, sobrei eu.

Aceitei o desafio. Aproveitando a sugestão dela começámos a conversa pelo Kafka. A partir daí tentei apanhá-la em falso no seu conhecimento de outros grandes autores absurdistas do século XX mas a gaja safava-se de todas as armadilhas que lhe punha no caminho. Tinha lido tudo, a mula. Pela primeira vez perante uma mulher, comecei a vacilar. Se continuasse assim, perderia. “Tenho de reagrupar os meus pensamentos”, pensei. Não havia hipótese, tinha de arranjar uma desculpa qualquer para sair dali por momentos que não desse ares de ser uma fuga e que ao mesmo tempo conservasse a minha aparência externa de cavalheiro bem-posto e de boas falas.

Finalmente, tendo encontrado o fraseamento adequado, levantei-me e disse: ‘Dêem-me licença por um instante, por favor. Infelizmente, a necessidade de obrar urge’. Ela fez um esgar de espanto e eu saí. “Excelente, funcionou”, pensei. “Vamos ver agora se enquanto obro me ocorre solução para esta merda”.

Sentado na sanita, enquanto o meu cu emulava o derrame da BP na louça fazendo um som semelhante ao de um quarteto desarmonioso de cuspidores de caroços de azeitona na esplanada, puxei pela cabeça até fazer variz na testa. De repente, após exalar pela fenda nalgar um comovente solfejo de cagalhão, fui transportado para uma conversa de infância com o meu tio: “Lembra-te, Príapo… para foderes uma gaja tens primeiro de fazê-la crer que está numa ilha deserta contigo. Qualquer gajo seria capaz de comer qualquer gaja se os dois estivessem tempo suficiente numa ilha deserta. A arte do engate é isso, Príapo: fazê-la crer que és o único homem no mundo. A partir daí acredita, vais ficar com o caralho mais assado que a cona da tia de tanto foder. Põe a gaja na ilha, Príapo… na ilha… na ilha”...

E acabou o flashback. Num ápice, tudo se tornou claro, inclusivamente onde nascera a expressão "cona da tia" e a razão da minha tia Mafalda coxear. Demasiado confiante para perder tempo a limpar com minúcia o barro da bilha, satisfiz-me com duas ou três lixadelas estratégicas de papel higiénico barato, subi a calça e voltei à guerra.

Eis então que fiz o que devia ter feito logo: cedi. Deixei-a ganhar as batalhas intelectuais e foquei as minhas perguntas nela. Ou seja, por muito que me arrepie, mostrei interesse nela como pessoa. Remédio santo. Depois de desbastar a capa de erudição percebi que a gaja afinal era mesmo só uma gaja. Comovida com o meu interesse pela sua personalidade, vendo ao mesmo tempo que não me intimidava pela sua inteligência, aos poucos e poucos lá fui ganhando terreno até que por fim, a piça triunfou. Estávamos finalmente os dois na ilha. Veni, vidi, fodi.

A conversa que se seguiu foi já dentro do carro, entre os meus colhões e os adenóides dela. Assim que encaixei a gaita nas suas eloquentes goelas senti-me como quem encaixa o último queijinho num jogo renhido de Trivial Pursuit. Enfim, um momento nada menos que sublime, como aquele que viveu Indiana Jones quando finalmente obteve – lá está – o Santo Graal.

Agora, se este também concede a imortalidade a quem dele beber como acontece no filme, isso já não me perguntem. Ela bem queria mas não alinhei nisso. Talvez pareça estranho mas fazer um minete a uma gaja tão esperta pareceu-me a um nível puramente racional quase como fazer um broche. E para broche, epá, não contem comigo...